Hoje mais cedo, na minha página no Facebook, fiz o seguinte
comentário: “Caiu uma parte
da ciclovia do Rio de Janeiro. Dentre os mortos, estava Eduardo, irmão de uma
grande amiga minha do Itamaraty. Sua morte poderia ter sido evitada. Ao que
tudo indica, a ciclovia não estava chumbada às estacas. Os pilares de concreto
não sofreram danos, reforçando a análises preliminares dos engenheiros de que a
pista estava somente sobreposta. Ironicamente, Eduardo era engenheiro. Aquilo
não foi uma fatalidade; foi um crime. E todos nós temos culpa nisso. A empresa que
executou a obra pertence à família do Secretário de Turismo do Rio de Janeiro.
Coincidentemente, foi a ganhadora da obra e, também, da fiscalização de seus
atos. E o que nós, cariocas, temos a ver
com isso? Tudo. As concorrências são públicas e sues resultados, idem. Será que
ninguém soube disso ou questionou essa situação de a mesma empresa fazer a obra
e se auto-fiscalizar? Enquanto o brasileiro não aprender a votar,
não adianta reclamar de Brasília - uma cidade "privada" que recebe
todo o lixo político votado pelos 26 estados brasileiros (sem contar o DF).
Políticos que mal sabem falar, que não entendem sequer o que estão votando.
Políticos sem escrúpulos, que se vendem baratinho, baratinho - o que sai caro
para nós! Enquanto isso, para
ser gari, pede-se segundo grau completo como exigência mínima de escolaridade.
Sejamos mais zelosos, na hora de escolher os políticos. Não sejamos coniventes
com políticos criminosos, não nos calemos mais às corrupções endêmicas. Nossa
ação ao votar e ao cobrar de nossos políticos atitude é a maior VACINA para
acabar com o vírus desse tipo de político corrupto, que eu não tolero mais”.
Um dos comentários que recebi foi que, por mais que saibamos votar, quando
os políticos chegam ao poder, misturam-se às cobras e, aí, já era, pois, infelizmente,
a política é suja, podre e os honestos acabam se corrompendo; fazendo vista
grossa. São omissos, coniventes e negligentes. Só pensam neles mesmos - o
resto, que se dane! O comentário finalizava com a afirmação de que nada neste país é sério! Ops, não é
bem assim! Eu sou séria, minha irmã é séria, nossos amigos são sérios.
Considero sérios todos os cerca de 300 conhecidos meus no Face. Se eu
colocar na ponta do lápis, sem exageros, todos que julgo serem sérios, chego fácil a mil pessoas
sérias. Dizer que nada neste país é serio não nos traz esperança, não reflete
quem somos. Somos sérios, mas temos sido omissos. Somos sérios, mas
temos sido egoístas. Somos sérios, mas temos sido coniventes com "pequenos
atos de corrupção".
Sim, somos sérios. Precisamos é ser mais brasileiros! Se entra governo e sai governo e nada muda, o problema não está no governo. Está em nós, que precisamos mudar! Não existe vácuo de poder. Se o eleitor não se apodera da agenda política de seu vereador, deputado, senador, o político o paz e samba na cara da sociedade, sabendo que ninguém vai querer esquentar a cabeça com política. Ele age impune; nós agimos de forma covarde, negligente e omissa. Quem é pior do que quem?
Quando
damos "um por fora" para o garçom conseguir uma mesa mais
rapidamente, somos corruptos. Quando não falamos nada ao vermos alguém estacionar
na vaga de paraplégicos, somos omissos e coniventes com aquele ato. Quando
vemos que tem um carro esperando outro sair, mas, ainda assim, enfiamos o nosso
na vaga, porque temos um compromisso urgente ou estamos com criança no carro,
somos egoístas. Quando deixamos a luz da repartição pública acesa e não
voltarmos para apagar, "porque o dinheiro não sai do meu bolso", como
muitas vezes já ouvi no Itamaraty muita gente dizer, somos negligentes. Quando recebemos o troco a mais ou quando vem
algo a mais dentro das nossas compras e não falamos nada, somos desonestos. Quando
a gente desliga a TV para não se estressar com o programa eleitoral, ou seja, quando nos
"desligamos" do nosso lado cívico, para não termos "dor de
cabeça" com "esses assuntos de política", não deixamos de ser
sérios. Deixamos de ser BRASILEIROS! Precisamos resgatar isso em nós! Enquanto não acordarmos para essa realidade, teremos nossa parcela de culpa toda vez que um viaduto (como aquele de BH, antes da copa, que matou 2 pessoas. Ah, já se esqueceu, né?) ou uma ciclovia cair.
A morte do Eduardo poderia ter sido evitada, se estivéssemos mais ligados no que fazem os políticos que nós mesmos colocamos lá. Fomos omissos, deu no que deu. Espero não precisar comentar aqui sobre a próxima vítima de nossas omissões cívicas!